terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Comunicar com a Pessoa com Perdas Auditivas




DECLÍNIO DO SISTEMA AUDITIVO NA PESSOA IDOSA

Com o avanço da idade, o Ser Humano apresenta um processo natural de envelhecimento, com alterações específicas em vários órgãos e que variam de indivíduo para indivíduo.
A perda auditiva em função da idade, ou Presbiacusia, é bastante frequente, afectando cerca de 34% da população com mais de 65 anos e causando diversas alterações na comunicação oral e na interacção familiar e social.

QUAIS OS PRIMEIROS SINTOMAS?

- Falam muito alto ou muito baixo
- Inclinam-se para ouvir quem fala
- Pedem frequentemente para a outra pessoa repetir o que disse
- Aumentam o som da televisão
- Dão respostas inadequadas
- Evitam situações de convívio
- Perdem o sentido de humor
- Queixam-se de zumbidos no ouvido
- Apresentam irritabilidade e agressividade para com os outros
- Centram o olhar nos lábios da pessoa com quem estão a falar

É importante estar atento a qualquer comportamento sugestivo de perda de audição, para que se possa diagnosticar correcta e atempadamente esta doença.



QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS?

O indivíduo que deixa de ouvir os sons de uma forma total ou parcial tem a comunicação comprometida, o que produz um grande impacto na sua vida e na dos que o rodeiam. De entre as várias consequências a nível emocional e social que a perda auditiva acarreta na pessoa idosa, destacam-se:

- Dificuldade em compartilhar conteúdos, ideias, pensamentos e desejos
- Interacção com a família, amigos e comunidade seriamente afectada
- Participação limitada em certas actividades (igreja, teatro, cinema, televisão…)
- Sentimentos de embaraço, frustração e de exclusão social
- Tendência para desconfiar (como não percebe tudo o que dizem, pode imaginar que estão a falar de si)
- Aumento da ansiedade e alterações de comportamento
- Sentimentos medo (incapacidade ou dificuldade para ouvir pessoas e veículos a aproximarem-se, panelas a ferver, alarmes…)
- Risco acrescido de solidão
- Perda de confiança e baixa auto-estima
- Tendência para a depressão


COMO COMUNICAR COM O IDOSO COM PERDAS AUDITIVAS?

Existem algumas estratégias que podem ser colocadas em prática para falar com uma pessoa com dificuldades na audição e que facilitam a comunicação, contribuindo para o bem-estar físico, mental e social e promovendo uma melhor qualidade de vida da pessoa idosa. Destacam-se, então, algumas dessas estratégias:


- Fale de forma clara e perceptível
Quando estiver a conversar com uma pessoa com perdas auditivas, fale de forma clara e pausada. Pronuncie bem as palavras e evite falar com comida na boca ou a mastigar pastilhas elásticas, pois as palavras soarão de maneira diferente. Apresente uma ideia de cada vez.


- Fale um pouco mais alto, mas sem gritar
Se necessário, fale um pouco mais alto, mas não grite. Estas pessoas não ouvem sons baixos, mas quando são demasiado altos podem ser incómodos e entendidos como agressivos.

- Fale de frente para a pessoa

Aproxime-se da pessoa e fale de frente (não de lado ou atrás). Evite colocar a mão ou qualquer objecto à frente da boca e tente não falar com a cabeça baixa, de modo a permitir que o idoso faça a leitura labial.

- Olhe nos olhos
Enquanto estiver a conversar, mantenha sempre contacto visual. Ao desviar o olhar, a pessoa com perdas auditivas pode pensar que a conversa terminou.


- Seja expressivo a falar
Utilize expressões faciais e gestos para indicar o que pretende dizer e para expressar emoções e sentimentos (alegria, tristeza...).

- Fale para o lado do ouvido melhor
Uma pessoa com dificuldades de audição pode ser capaz de ouvir mais melhor de um ouvido do que de outro, pelo que falar para esse lado pode resolver muitos problemas de comunicação.


- Repita as informações
Se lhe parecer que a pessoa não entendeu o que lhe disse, reformule a frase e repita as informações dadas. Certifique-se que a pessoa entendeu o que lhe foi dito, pedindo-lhe para repetir as informações.


- Converse em lugares tranquilos e iluminados
Converse com a pessoa com problemas de audição num ambiente tranquilo e sem ruídos de fundo (televisão, rádio...). O ambiente deve ser iluminado e deve evitar ficar contra a luz, para que o seu rosto fique bem visível, facilitando, assim, a leitura labial.


- Acene ou toque suavemente para chamar a atenção
Se a pessoa com dificuldades auditivas não lhe estiver a prestar atenção, acene para ela ou toque suavemente no seu braço.

- Encontre outras formas de comunicar
Se for necessário, comunique-se através de bilhetes, gestos, figuras, listas de palavras ou outras formas. O importante é comunicar.

- Incentive a utilização dos aparelhos auditivos
Incentive o uso da prótese auditiva, se a pessoa a tiver, e deixe que a pessoa a regule antes de começar a falar.
É importante que regularmente se certifique da necessidade de trocar as pilhas e que verifique as datas em que as últimas baterias foram trocadas.

- Incentive a participação em actividades sociais

O isolamento social compromete a qualidade de vida da pessoa idosa e agrava as suas dificuldades de comunicação, pelo que deve incentivar, sempre que possível, a participação da pessoa em actividades sociais.

- Seja paciente
Lidar com uma pessoa com perdas de audição não é fácil e, muitas vezes, pelas dificuldades que apresentam na comunicação, os familiares ou outros não mantêm diálogos normais e passam a informar apenas os assuntos essenciais. Com a diminuição da comunicação, a pessoa com dificuldades auditivas fica mais propensa a sentimentos de solidão. Neste sentido, mantenha a paciência e tente encontrar uma maneira de ajudar a pessoa a comunicar e a se ajustar à nova realidade.



domingo, 23 de janeiro de 2011

Dançando com a Diferença

Através do corpo e do seu movimento, a pessoa expressa os seus pensamentos, sentimentos e emoções e é, também, através do corpo que interage e se relaciona com o mundo que a rodeia.
Uma das formas que o Ser Humano tem de utilizar o corpo para expressar o que lhe vai na alma é através da dança, actividade que promove o bem-estar físico e emocional e que pode, mesmo, ser utilizada com fins terapêuticos.
Mais recentemente, a dança tem sido ainda utilizada como um instrumento para ultrapassar as barreiras dos preconceitos em relação à deficiência e como elemento de inclusão social. É o que acontece com o Grupo Dançando com a Diferença, que propõe uma abordagem inovadora e ousada da dança.
Os espectáculos apresentados por este grupo, que integra bailarinos com e sem limitações, pretendem sensibilizar o público para a diferença e modificar a imagem social da pessoas com deficiência. De facto, pessoas com défices físicos ou mentais podem ir muito além das suas limitações e, nestes espectáculos, as suas potencialidades são exploradas numa produção de dança contemporânea com excelência artística.
Na passada sexta-feira, dia 21 de Janeiro, o grupo Dançando com a Diferença apresentou dois espectáculos em Torres Vedras - “Levanta os Braços como Antenas para o Céu” e “Beautiful People”. Um confronto directo e provocador com as questões do corpo diferente...Adorei!!!!!

"Levanta os Braços como Antenas para o Céu" (Clara Andermatt, 2005)


"Beautiful People" (Rui Horta, 2008)


"Menina da Lua" (2003)

domingo, 26 de dezembro de 2010

Alegre ou Triste




Se sou alegre ou sou triste?...
Francamente, não o sei.
A tristeza em que consiste?
Da alegria o que farei?

Não sou alegre nem triste.
Verdade, não sou o que sou.
Sou qualquer alma que existe
E sente o que Deus fadou.

Afinal, alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim...
Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim...
Mas a alegria é assim...
(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

História Antiga



Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.

Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.


(Miguel Torga)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Corpo Esquecido


Recordo...
A harmonia dos meus passos ao dançar,
Os meus dedos entre as linhas agilmente entrelaçados
A minha voz que docemente te embalava
E a pele do meu corpo...da minha face...
que tu ansiavas por acariciar...por beijar...

Agora...
Nada disto parece verdade...já não sei quem sou...
Não me encontro neste corpo estranho, frágil, doloroso...
...incapaz e sem sentido
A imagem que se reflecte no espelho não é a minha...
Preciso de sentir que ainda existo...Preciso de ti....
Peço-te, então, uma abraço...mas recusas!
Peço-te um beijo, que não tens tempo de dar...
Até o teu olhar se afasta do meu rosto enrugado e feio

Quem serei eu neste corpo esquecido?
Um corpo que todos tocam, sem tocar de verdade...
ausente de afecto...ausente de vontade

Tento, então, chegar a ti...tocar-te e sentir-me em ti...
Mas, tropeço...Caio...Perco-me em tamanha dor
Choro...Grito NÃO! Mas nada...ninguém...
Não me reconheço neste novo ser...
O que se passa? O que está a acontecer?
Estarei eu a morrer?!!


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Benção das Fitas 2008


Daquelas boas recordações...Com uma festinha para recordar a benção das fitas das duas primas...a Patrícia em Gestão e eu em Reabilitação Psicomotora. O símbolo é da Casa da Praia, onde fiz um estágio inesquecível...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Gerontopsicomotricidade

"Nos olhos dos jovens há claridade, nos dos velhos luz" Jouvert




A Psicomotricidade é uma ciência que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistémicas entre o psiquismo e a motricidade. Ao basear-se numa visão holística do ser humano, encara de forma integrada as funções cognitivas, sócio-emocionais, simbólicas, psicolinguísticas e motoras, promovendo a capacidade de ser e agir num contexto psicossocial. A intervenção em Psicomotricidade actua em todas as fases da vida (do nascimento à velhice) como forma de prevenção/estimulação ou como reabilitação da função inadequada, através de uma mediação corporal e expressiva. Assim, através do movimento e da sua regulação tónico-emocional, permite que o indivíduo reencontre o prazer sensório-motor e possibilita o desenvolvimento dos processos simbólicos.


Pela abordagem sistémica e holística do ser humano que defende, a Psicomotricidade tem-se tornado uma resposta cada vez mais indispensável em situações onde a adaptação está comprometida e onde é indispensável uma compreensão interligada do funcionamento do sujeito nos seus vários domínios comportamentais, desde o motor, passando pelo afectivo, até ao cognitivo.


Na população idosa, em crescimento exponencial no nosso país, verifica-se um declínio psicomotor, com perdas significativas no equilíbrio, na coordenação motora e nos processos cognitivos. O corpo, fragilizado e tido como fonte de dor, é desvalorizado e desinvestido e a imagem corporal encontra-se em constante transformação. A Gerontopsicomotricidade tem, assim, um papel fundamental na redescoberta deste novo corpo e do seu movimento, na recuperação da autonomia, desejo e motivação.


Um programa de estimulação e reabilitação em Gerontopsicomotricidade pretende desenvolver tanto a actividade perceptivo-motora do idoso como a actividade relacional, tendo como objectivos específicos retardar os processos de deterioração psicobiológica associados ao envelhecimento e que impedem a manutenção da independência funcional do idoso e, consequentemente, a sua inserção na comunidade. As metodologias desta área tentam neutralizar ou minimizar:


 Os processos de retrogénese motora;
 A diminuição dos hábitos motores;
 O declínio das habilidades cognitivas;
 A perda de capacidades sensoriais e perceptivas;
 Os problemas emocionais e afectivos.

A intervenção pode, ainda, situar-se em três níveis, nomeadamente:
Primária – Intervenção junto de idosos saudáveis, tem como principal objectivo evitar possíveis patologias resultantes de défices no processo de envelhecimento (ex: ocorrência de quedas por dificuldades no equilíbrio dinâmico), actuando-se numa dimensão integral biopsicossociológica.
Secundária – Intervenção com características reabilitativas, junto de idosos com ligeiros défices cognitivos ou défices na capacidade funcional. Pretende-se manter um bom funcionamento da pessoa, mantendo as capacidades preservadas e estimulando as que estão em fase de deterioração.
Terciária – Ocorre quando a pessoa já tem um diagnóstico estabelecido e são evidentes os défices ao nível cognitivo e funcional. Os principais objectivos são desenvolver estratégias para superar as dificuldades, de forma a retardar os efeitos da deterioração associada à patologia, promover a autonomia na realização de actividades, mantendo a capacidade funcional e melhorando a qualidade de vida.

Este tipo de programas, ao estimularem os factores psicomotores (Tonicidade, Equilibração, Lateralização, Noção do Corpo, Estruturação Espácio-Temporal, Práxia Global e Práxia Fina), juntamente com aspectos cognitivos (memória, atenção, linguagem…) e sócio-emocionais (auto-estima, auto-eficácia…) contribuem fortemente para o desempenho das AVDs (Actividades da Vida Diária) e das AIVDs (Actividades Instrumentais da Vida Diária), promovendo uma melhor Qualidade de Vida.




Bibliografia:

- Pereira, B. (2004). Gerontopsicomotricidade: envelhecer melhor - da quantidade à qualidade. A Psicomotricidade, 4, 88-93.
- Morais, A. (2007). Psicomotricidade e Promoção da Qualidade de Vida em Idosos com Doença de Alzheimer. A Psicomotricidade, 10, 25-33.
- Nuñes, J. & Gonzáles., (2001). Programa de Gerontopsicomotricidad en Ancianos Institucionalizados. In Fonseca, V.; Martins, R. (Eds). Progressos em Psicomotricidade. Lisboa: Edições FMH.
- Fonseca, V. (2001). Gerontopsicomotricidade: Uma Abordagem ao Conceito da Retrogénese Psicomotora. In Fonseca, V.; Martins, R. (Eds). Progressos em Psicomotricidade. Lisboa: Edições FMH.