domingo, 23 de janeiro de 2011

Dançando com a Diferença

Através do corpo e do seu movimento, a pessoa expressa os seus pensamentos, sentimentos e emoções e é, também, através do corpo que interage e se relaciona com o mundo que a rodeia.
Uma das formas que o Ser Humano tem de utilizar o corpo para expressar o que lhe vai na alma é através da dança, actividade que promove o bem-estar físico e emocional e que pode, mesmo, ser utilizada com fins terapêuticos.
Mais recentemente, a dança tem sido ainda utilizada como um instrumento para ultrapassar as barreiras dos preconceitos em relação à deficiência e como elemento de inclusão social. É o que acontece com o Grupo Dançando com a Diferença, que propõe uma abordagem inovadora e ousada da dança.
Os espectáculos apresentados por este grupo, que integra bailarinos com e sem limitações, pretendem sensibilizar o público para a diferença e modificar a imagem social da pessoas com deficiência. De facto, pessoas com défices físicos ou mentais podem ir muito além das suas limitações e, nestes espectáculos, as suas potencialidades são exploradas numa produção de dança contemporânea com excelência artística.
Na passada sexta-feira, dia 21 de Janeiro, o grupo Dançando com a Diferença apresentou dois espectáculos em Torres Vedras - “Levanta os Braços como Antenas para o Céu” e “Beautiful People”. Um confronto directo e provocador com as questões do corpo diferente...Adorei!!!!!

"Levanta os Braços como Antenas para o Céu" (Clara Andermatt, 2005)


"Beautiful People" (Rui Horta, 2008)


"Menina da Lua" (2003)

domingo, 26 de dezembro de 2010

Alegre ou Triste




Se sou alegre ou sou triste?...
Francamente, não o sei.
A tristeza em que consiste?
Da alegria o que farei?

Não sou alegre nem triste.
Verdade, não sou o que sou.
Sou qualquer alma que existe
E sente o que Deus fadou.

Afinal, alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim...
Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim...
Mas a alegria é assim...
(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

História Antiga



Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.

Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.


(Miguel Torga)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Corpo Esquecido


Recordo...
A harmonia dos meus passos ao dançar,
Os meus dedos entre as linhas agilmente entrelaçados
A minha voz que docemente te embalava
E a pele do meu corpo...da minha face...
que tu ansiavas por acariciar...por beijar...

Agora...
Nada disto parece verdade...já não sei quem sou...
Não me encontro neste corpo estranho, frágil, doloroso...
...incapaz e sem sentido
A imagem que se reflecte no espelho não é a minha...
Preciso de sentir que ainda existo...Preciso de ti....
Peço-te, então, uma abraço...mas recusas!
Peço-te um beijo, que não tens tempo de dar...
Até o teu olhar se afasta do meu rosto enrugado e feio

Quem serei eu neste corpo esquecido?
Um corpo que todos tocam, sem tocar de verdade...
ausente de afecto...ausente de vontade

Tento, então, chegar a ti...tocar-te e sentir-me em ti...
Mas, tropeço...Caio...Perco-me em tamanha dor
Choro...Grito NÃO! Mas nada...ninguém...
Não me reconheço neste novo ser...
O que se passa? O que está a acontecer?
Estarei eu a morrer?!!


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Benção das Fitas 2008


Daquelas boas recordações...Com uma festinha para recordar a benção das fitas das duas primas...a Patrícia em Gestão e eu em Reabilitação Psicomotora. O símbolo é da Casa da Praia, onde fiz um estágio inesquecível...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Gerontopsicomotricidade

"Nos olhos dos jovens há claridade, nos dos velhos luz" Jouvert




A Psicomotricidade é uma ciência que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistémicas entre o psiquismo e a motricidade. Ao basear-se numa visão holística do ser humano, encara de forma integrada as funções cognitivas, sócio-emocionais, simbólicas, psicolinguísticas e motoras, promovendo a capacidade de ser e agir num contexto psicossocial. A intervenção em Psicomotricidade actua em todas as fases da vida (do nascimento à velhice) como forma de prevenção/estimulação ou como reabilitação da função inadequada, através de uma mediação corporal e expressiva. Assim, através do movimento e da sua regulação tónico-emocional, permite que o indivíduo reencontre o prazer sensório-motor e possibilita o desenvolvimento dos processos simbólicos.


Pela abordagem sistémica e holística do ser humano que defende, a Psicomotricidade tem-se tornado uma resposta cada vez mais indispensável em situações onde a adaptação está comprometida e onde é indispensável uma compreensão interligada do funcionamento do sujeito nos seus vários domínios comportamentais, desde o motor, passando pelo afectivo, até ao cognitivo.


Na população idosa, em crescimento exponencial no nosso país, verifica-se um declínio psicomotor, com perdas significativas no equilíbrio, na coordenação motora e nos processos cognitivos. O corpo, fragilizado e tido como fonte de dor, é desvalorizado e desinvestido e a imagem corporal encontra-se em constante transformação. A Gerontopsicomotricidade tem, assim, um papel fundamental na redescoberta deste novo corpo e do seu movimento, na recuperação da autonomia, desejo e motivação.


Um programa de estimulação e reabilitação em Gerontopsicomotricidade pretende desenvolver tanto a actividade perceptivo-motora do idoso como a actividade relacional, tendo como objectivos específicos retardar os processos de deterioração psicobiológica associados ao envelhecimento e que impedem a manutenção da independência funcional do idoso e, consequentemente, a sua inserção na comunidade. As metodologias desta área tentam neutralizar ou minimizar:


 Os processos de retrogénese motora;
 A diminuição dos hábitos motores;
 O declínio das habilidades cognitivas;
 A perda de capacidades sensoriais e perceptivas;
 Os problemas emocionais e afectivos.

A intervenção pode, ainda, situar-se em três níveis, nomeadamente:
Primária – Intervenção junto de idosos saudáveis, tem como principal objectivo evitar possíveis patologias resultantes de défices no processo de envelhecimento (ex: ocorrência de quedas por dificuldades no equilíbrio dinâmico), actuando-se numa dimensão integral biopsicossociológica.
Secundária – Intervenção com características reabilitativas, junto de idosos com ligeiros défices cognitivos ou défices na capacidade funcional. Pretende-se manter um bom funcionamento da pessoa, mantendo as capacidades preservadas e estimulando as que estão em fase de deterioração.
Terciária – Ocorre quando a pessoa já tem um diagnóstico estabelecido e são evidentes os défices ao nível cognitivo e funcional. Os principais objectivos são desenvolver estratégias para superar as dificuldades, de forma a retardar os efeitos da deterioração associada à patologia, promover a autonomia na realização de actividades, mantendo a capacidade funcional e melhorando a qualidade de vida.

Este tipo de programas, ao estimularem os factores psicomotores (Tonicidade, Equilibração, Lateralização, Noção do Corpo, Estruturação Espácio-Temporal, Práxia Global e Práxia Fina), juntamente com aspectos cognitivos (memória, atenção, linguagem…) e sócio-emocionais (auto-estima, auto-eficácia…) contribuem fortemente para o desempenho das AVDs (Actividades da Vida Diária) e das AIVDs (Actividades Instrumentais da Vida Diária), promovendo uma melhor Qualidade de Vida.




Bibliografia:

- Pereira, B. (2004). Gerontopsicomotricidade: envelhecer melhor - da quantidade à qualidade. A Psicomotricidade, 4, 88-93.
- Morais, A. (2007). Psicomotricidade e Promoção da Qualidade de Vida em Idosos com Doença de Alzheimer. A Psicomotricidade, 10, 25-33.
- Nuñes, J. & Gonzáles., (2001). Programa de Gerontopsicomotricidad en Ancianos Institucionalizados. In Fonseca, V.; Martins, R. (Eds). Progressos em Psicomotricidade. Lisboa: Edições FMH.
- Fonseca, V. (2001). Gerontopsicomotricidade: Uma Abordagem ao Conceito da Retrogénese Psicomotora. In Fonseca, V.; Martins, R. (Eds). Progressos em Psicomotricidade. Lisboa: Edições FMH.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Alzheimer

Neste meu novo percurso, a trabalhar com pessoas idosas deparo-me com o problema das Demências, nomeadamente a doença de Alzheimer...Não são só as pessoas com a doença que sofrem, mas todas as que a rodeiam (familiares, amigos, cuidadores formais...). Aqui fica um pequeno vídeo que explica como funciona esta doença...

É urgente encontrarmos estratégias para melhorar a qualidade de vida destas pessoas!