quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

História Antiga



Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.

Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.


(Miguel Torga)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Corpo Esquecido


Recordo...
A harmonia dos meus passos ao dançar,
Os meus dedos entre as linhas agilmente entrelaçados
A minha voz que docemente te embalava
E a pele do meu corpo...da minha face...
que tu ansiavas por acariciar...por beijar...

Agora...
Nada disto parece verdade...já não sei quem sou...
Não me encontro neste corpo estranho, frágil, doloroso...
...incapaz e sem sentido
A imagem que se reflecte no espelho não é a minha...
Preciso de sentir que ainda existo...Preciso de ti....
Peço-te, então, uma abraço...mas recusas!
Peço-te um beijo, que não tens tempo de dar...
Até o teu olhar se afasta do meu rosto enrugado e feio

Quem serei eu neste corpo esquecido?
Um corpo que todos tocam, sem tocar de verdade...
ausente de afecto...ausente de vontade

Tento, então, chegar a ti...tocar-te e sentir-me em ti...
Mas, tropeço...Caio...Perco-me em tamanha dor
Choro...Grito NÃO! Mas nada...ninguém...
Não me reconheço neste novo ser...
O que se passa? O que está a acontecer?
Estarei eu a morrer?!!


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Benção das Fitas 2008


Daquelas boas recordações...Com uma festinha para recordar a benção das fitas das duas primas...a Patrícia em Gestão e eu em Reabilitação Psicomotora. O símbolo é da Casa da Praia, onde fiz um estágio inesquecível...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Gerontopsicomotricidade

"Nos olhos dos jovens há claridade, nos dos velhos luz" Jouvert




A Psicomotricidade é uma ciência que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistémicas entre o psiquismo e a motricidade. Ao basear-se numa visão holística do ser humano, encara de forma integrada as funções cognitivas, sócio-emocionais, simbólicas, psicolinguísticas e motoras, promovendo a capacidade de ser e agir num contexto psicossocial. A intervenção em Psicomotricidade actua em todas as fases da vida (do nascimento à velhice) como forma de prevenção/estimulação ou como reabilitação da função inadequada, através de uma mediação corporal e expressiva. Assim, através do movimento e da sua regulação tónico-emocional, permite que o indivíduo reencontre o prazer sensório-motor e possibilita o desenvolvimento dos processos simbólicos.


Pela abordagem sistémica e holística do ser humano que defende, a Psicomotricidade tem-se tornado uma resposta cada vez mais indispensável em situações onde a adaptação está comprometida e onde é indispensável uma compreensão interligada do funcionamento do sujeito nos seus vários domínios comportamentais, desde o motor, passando pelo afectivo, até ao cognitivo.


Na população idosa, em crescimento exponencial no nosso país, verifica-se um declínio psicomotor, com perdas significativas no equilíbrio, na coordenação motora e nos processos cognitivos. O corpo, fragilizado e tido como fonte de dor, é desvalorizado e desinvestido e a imagem corporal encontra-se em constante transformação. A Gerontopsicomotricidade tem, assim, um papel fundamental na redescoberta deste novo corpo e do seu movimento, na recuperação da autonomia, desejo e motivação.


Um programa de estimulação e reabilitação em Gerontopsicomotricidade pretende desenvolver tanto a actividade perceptivo-motora do idoso como a actividade relacional, tendo como objectivos específicos retardar os processos de deterioração psicobiológica associados ao envelhecimento e que impedem a manutenção da independência funcional do idoso e, consequentemente, a sua inserção na comunidade. As metodologias desta área tentam neutralizar ou minimizar:


 Os processos de retrogénese motora;
 A diminuição dos hábitos motores;
 O declínio das habilidades cognitivas;
 A perda de capacidades sensoriais e perceptivas;
 Os problemas emocionais e afectivos.

A intervenção pode, ainda, situar-se em três níveis, nomeadamente:
Primária – Intervenção junto de idosos saudáveis, tem como principal objectivo evitar possíveis patologias resultantes de défices no processo de envelhecimento (ex: ocorrência de quedas por dificuldades no equilíbrio dinâmico), actuando-se numa dimensão integral biopsicossociológica.
Secundária – Intervenção com características reabilitativas, junto de idosos com ligeiros défices cognitivos ou défices na capacidade funcional. Pretende-se manter um bom funcionamento da pessoa, mantendo as capacidades preservadas e estimulando as que estão em fase de deterioração.
Terciária – Ocorre quando a pessoa já tem um diagnóstico estabelecido e são evidentes os défices ao nível cognitivo e funcional. Os principais objectivos são desenvolver estratégias para superar as dificuldades, de forma a retardar os efeitos da deterioração associada à patologia, promover a autonomia na realização de actividades, mantendo a capacidade funcional e melhorando a qualidade de vida.

Este tipo de programas, ao estimularem os factores psicomotores (Tonicidade, Equilibração, Lateralização, Noção do Corpo, Estruturação Espácio-Temporal, Práxia Global e Práxia Fina), juntamente com aspectos cognitivos (memória, atenção, linguagem…) e sócio-emocionais (auto-estima, auto-eficácia…) contribuem fortemente para o desempenho das AVDs (Actividades da Vida Diária) e das AIVDs (Actividades Instrumentais da Vida Diária), promovendo uma melhor Qualidade de Vida.




Bibliografia:

- Pereira, B. (2004). Gerontopsicomotricidade: envelhecer melhor - da quantidade à qualidade. A Psicomotricidade, 4, 88-93.
- Morais, A. (2007). Psicomotricidade e Promoção da Qualidade de Vida em Idosos com Doença de Alzheimer. A Psicomotricidade, 10, 25-33.
- Nuñes, J. & Gonzáles., (2001). Programa de Gerontopsicomotricidad en Ancianos Institucionalizados. In Fonseca, V.; Martins, R. (Eds). Progressos em Psicomotricidade. Lisboa: Edições FMH.
- Fonseca, V. (2001). Gerontopsicomotricidade: Uma Abordagem ao Conceito da Retrogénese Psicomotora. In Fonseca, V.; Martins, R. (Eds). Progressos em Psicomotricidade. Lisboa: Edições FMH.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Alzheimer

Neste meu novo percurso, a trabalhar com pessoas idosas deparo-me com o problema das Demências, nomeadamente a doença de Alzheimer...Não são só as pessoas com a doença que sofrem, mas todas as que a rodeiam (familiares, amigos, cuidadores formais...). Aqui fica um pequeno vídeo que explica como funciona esta doença...

É urgente encontrarmos estratégias para melhorar a qualidade de vida destas pessoas!

Jogo dos Palhaços (Lógica)

Desenvolve conceitos de correspondência termo a termo e de classificação, assim como a atenção e a diferenciação perceptiva.

Jogo de Seriação



Desenvolve a capacidade de observação e de seriação bem como o vocabulário associado a este conceito: maior, médio, menor, pequeno, grande.
Revista Coisas de Criança