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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Lenda de S. Martinho


Martinho era um valente soldado romano que estava a regressar de Itália para a sua terra, algures em França. Estava muito, muito frio, vento e mau tempo enquanto cavalgava e Martinho estava agasalhado normalmente para a época: tinha uma capa vermelha, que os soldados romanos normalmente usavam.
De repente, aparece-lhe um mendigo, vestido com roupas já velhas e rotas e cheio de frio que lhe estendeu a mão à procura de auxílio...Infelizmente, Martinho não tinha nada para lhe dar. Então, pegou na espada, levantou-a e deu um golpe na sua capa. Cortou-a ao meio e deu metade ao pobre.
Nesse momento… as nuvens e o mau tempo desapareceram. Parecia que era Verão! Foi como uma recompensa de Deus a Martinho por ele ter sido bom.
É por isso que todos os anos, nesta altura do ano, mesmo sendo Outono, durante cerca de três dias o tempo fica melhor e mais quente: é o Verão de São Martinho.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A lenda da Lagoa das 7 Cidades

E quem se lembra da lenda que explica a razão de uma lagoa ser azul e a outra verde?! Ora, então, aqui fica esta bela (e triste) história...
Há muitos, muitos anos, no Reino das Sete Cidades vivia uma princesa chamada Antília, filha única de um Rei viúvo que era conhecido pelo seu mau feitio. O Rei não gostava que a sua filhinha falasse com ninguém, pelo que a menina ou estava com o pai ou com a ama que a criara desde o nascimento, altura em que a Rainha falecera.

Os anos foram passando e Antília foi crescendo, tornando-se numa linda jovem, capaz de encantar qualquer rapaz do seu reino. Contudo, eram poucos ou nenhuns aqueles que conheciam a princesa, pois o Rei continuava a não a deixar sair do castelo.

Mas Antília não se deixava intimidar pelo pai e todas as tardes, enquanto o pai dormia a sesta, saia pelas traseiras com a ajuda da ama e sem que mais ninguém a visse e ia passear pelos montes e vales próximos.

Numa certa tarde, enquanto passeava pela floresta, a princesa escutou uma bela música, deixando-se guiar por aquele som encantado. Descobriu, então, um jovem pastor a tocar flauta no cimo de um monte.

A Princesa gostou de tal forma da melodia que ficou escondida a ouvir o jovem a tocar flauta, repetindo-o durante semanas até que o pastor a descobriu, um dia, por detrás dos arbustos. Ao vê-la foi amor à primeira vista, e era recíproco, pois ela também estava apaixonada por ele. Continuaram a encontrar-se e passavam as tardes a conversar e a rir, o pastor tocava flauta para a princesa e ela escutáva-o...Ambos se sentiam muito felizes.

Num certo dia, o pastor decidiu pedir a Princesa em casamento. Dirigiu-se ao Castelo e pediu para falar com o Rei. Muito nervoso mas determinado, o pastor fez uma vénia ao Rei e, olhando-o nos olhos, disse:

- Majestade, gosto muito de Antília, sua filha, e gostaria de pedir a sua mão em casamento.
- A mão de minha filha, NUNCA... OUVIS-TE... NUNCA! - disse o Rei aos berros.- Criado, põe este pastor atrevido na rua.
O jovem bem tentou argumentar, mas ele não o deixava falar, e expulsou-o do Castelo.

De seguida, o Rei mandou chamar Antília e proibiu-a de ver o pastor. A pobre Princesa mais não pode fazer do que respeitar a ordem do seu pai e nessa mesma tarde foi ter com o seu amor para lhe dizer que nunca mais se podiam encontrar.
Os jovens choraram toda a tarde abraçados...e as suas lágrimas, de tantas serem, formaram duas lindas lagoas, uma verde da cor dos olhos da princesa e a outra azul da cor dos olhos do pastor.
E ainda hoje estas duas lagoas continuam no Vale das Sete Cidades, na Ilha de São Miguel, lá nos Açores, para avivar a memória de todos quantos por ali passam, e recordar o drama dos dois jovens apaixonados.