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domingo, 25 de janeiro de 2015

Salvo pelas Estrelas - Livro


Uma história verídica de uma mãe que luta pela realização e felicidade do seu filho com diagnóstico de autismo, mas que se revela um grande génio nas ciências.

" Jake gostava dos movimentos das sombras nas paredes, das estrelas, dos padrões dos sofás...Contrariando o marido e os pareceres dos especialistas, Kristine (a mãe) seguiu os seus instintos, retirou o filho da educação especial e iniciou, sozinha, uma nova educação. Decidiu seguir as suas paixões, e concentrar-se nas coisas que o filho era capaz de fazer ao invés de se concentrar nas que ele não conseguia. Acreditava no poder da infância e na importância de brincar...". 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O menino de Deus - Livro


João Carlos da Costa é um menino com autismo que comunica com o mundo através da escrita, transmitindo mensagens de amor, luz e esperança.

Vale realmente a pena ler o livro, mas também dar um olhinho pelo site pessoal do João - Um canto do Céu na Terra.

http://www.umcantodoceunaterra.com/intro.asp?lg=pt&idlg=1

terça-feira, 25 de junho de 2013

Programa Son-Rise

            Apesar de se considerar que o autismo nunca desaparece completamente, intervenções apropriadas, iniciadas precocemente e com intensidade elevada podem fazer com que alguns indivíduos melhorem de tal forma que os traços autísticos tornam-se impercetíveis para aqueles que não conheceram as suas trajetórias de desenvolvimento.

          Dentre os fatores mais importantes para o prognóstico do funcionamento social geral e desempenho escolar destacam-se o nível cognitivo da criança e o grau de desenvolvimento de habilidades adaptativas, como as de autocuidado.

          Atualmente, existe uma gama muito vasta e diversificada de modelos de intervenção e terapias direcionadas para pessoas autistas. De seguida, abordaremos o Programa Son-Rise, um programa criado por pais e que, muito recentemente, começou a ser aplicado em Portugal.


UM POUCO DE HISTÓRIA


           No início da década de 1970, nos EUA, foi diagnosticado autismo severo a Raun Kaufman, com 4 anos de idade. Após os especialistas afirmarem que Raun não teria recuperação e proporem a sua institucionalização, os pais Barry e Samahria iniciaram, eles próprios, um longo caminho de pesquisa na tentativa de encontrar uma maneira de se aproximarem e comunicarem com o seu filho.

Através da experimentação intuitiva e amorosa e da crença na capacidade ilimitada do ser humano para a cura e crescimento, o casal Kaufman desenvolveu o programa Son-Rise. Três anos após terem iniciado o programa com Raun, a nova avaliação determinou que a criança estava dentro dos parâmetros adequados para a sua idade. Presentemente, Raun é um adulto sem vestígios de qualquer perturbação do espectro do autismo e um orador enérgico e comunicativo, sendo ele próprio professor e formador dos Programas Son-Rise.

           Desde a "recuperação" de Raun, milhares de crianças e adultos utilizando o Programa Son-Rise têm-se desenvolvido muito além das expectativas convencionais, algumas delas apresentado completa "recuperação".
 
 
 
COMO O PROGRAMA SON-RISE CHEGOU A PORTUGAL
 
             Milhares de pais, terapeutas e médicos de cerca de 66 países já frequentaram os programas nos Estados Unidos. Susana Silva, atualmente presidente da Associação Vencer Autismo, foi uma das pessoas que participou neste programa.

             A filha de Susana, com dois anos de idade, foi sinalizada por se perceber que alguma coisa não estava bem, embora ainda sem diagnóstico definido. Susana iniciou o percurso que a maioria dos pais de crianças com perturbações do desenvolvimento segue: médicos, terapeutas, exames, mais médicos, mais terapias…e foram poucos os resultados que obteve.

            Foi então que, em 2009, ouviu falar do Programa Son-Rise e, na sua pesquisa, visualizou vários vídeos disponíveis online e começou a aplicar as técnicas ensinadas com a filha. Refere que os resultados foram imediatos, o que a levou a se deslocar até aos EUA, onde fez a formação de cinco dias. A evolução que viu acontecer na sua filha ao longo dos seis meses seguintes foi tão significativa que decidiu que queria partilhar o programa com as outras pessoas que se debatiam com os mesmos desafios e, assim, nasceu a Associação Vencer Autismo, que tem por objetivo divulgar e promover o acesso ao Programa Son-Rise.
 
 
O PROGRAMA SON-RISE
             O Son-Rise é um programa para o tratamento de crianças com autismo ou com outras dificuldades de desenvolvimento similares, que utiliza uma abordagem relacional e que valoriza a relação interpessoal. O programa não é simplesmente um conjunto de técnicas e estratégias a serem utilizadas com uma criança, mas um estilo de se interagir, uma maneira de se relacionar que inspira a participação espontânea em relacionamentos sociais. A ideia é que os pais aprendam a interagir de forma prazerosa, divertida e entusiasmada com a criança, encorajando então altos níveis de desenvolvimento social, emocional e cognitivo.
             A prática do Programa Son-Rise tem mostrado que uma criança com autismo que participa neste tipo de experiência interativa, torna-se aberta, recetiva e motivada para aprender novas habilidades e informações. São vários os casos em que crianças, ao participarem neste programa, fizeram progressos notáveis, algumas delas recuperaram completamente e “abandonaram” os diagnósticos clínicos.
É necessário entrar no mundo da criança, captar a atenção, conquistar a confiança e criar uma relação, para então trazer a criança para o nosso mundo.

           O programa, que pressupõe como fator chave para o tratamento e recuperação do autismo a participação da criança em interações dinâmicas, envolventes e estimulantes, propõe a implementação dos vários princípios pelos pais no domicílio da criança. Os pais são, assim, estimulados a construírem um ambiente social otimizado que estimule uma profunda ligação emocional com a sua criança.

         Há décadas que especialistas em desenvolvimento infantil têm apontado que as crianças aprendem melhor através de experiências interativas e emocionalmente prazerosas com outras pessoas. Assim, nestas interações a criança torna-se participante ativo e não um mero recipiente passivo de informação. Pesquisas mais recentes têm mostrado que o mesmo é válido para crianças com perturbações do desenvolvimento, inclusive do autismo. É desta forma que se começa a compreender os princípios que o Programa Son-Rise pratica há mais de 30 anos.
 
Ao brincar com a criança com autismo de uma maneira em que a criança participe mentalmente, emocionalmente e fisicamente, estará a ser solidificado um novo crescimento mental.
 
The Autism Treatment Center of America
Fundado em 1983 pelos pais de Raun, The Autism Treatment Center of America™ é uma organização sem fins lucrativos, em Sheffield, Massachusetts, trabalha com famílias de todo o mundo que possuem crianças com Perturbações do Espetro do Autismo, treinando-as no Programa Son-Rise.


OS PRÍNCIPIOS DO PROGRAMA SON-RISE
 
De seguida, apresentam-se os princípios que fazem do Programa Son-Rise um método único e efetivo no tratamento do autismo:
v    O potencial da criança é ilimitado.
Não se acredita na “falsa” esperança, assim como também não se pode prever o que cada criança vai alcançar. Contudo, não se aceita de forma alguma que seja dito aquilo que uma criança não vai alcançar. Nenhum pai deve ter de pedir desculpas por acreditar na sua criança.
 
v    O Autismo não é uma perturbação comportamental
É considerado como uma perturbação relacional e interativa. Na sua essência é um desafio neurológico em que as crianças têm dificuldades de relacionamento e de conexão com as pessoas à sua volta. Assim, este programa foca intensamente a socialização. Mais do que os pais se divertirem com os seus filhos, é importante que a criança se divirta com os seus pais.
 
v    Motivação, e a não repetição, são a chave de toda a aprendizagem
Muitas das abordagens tradicionais são “contra o cérebro”, ou seja, tentam formatar as crianças ensinando-as através da repetição infinita. Pelo contrário, este programa procura as motivações específicas de cada criança e usa-as para lhes ensinar competências que precisam de adquirir. Desta forma, não só se obtém a participação voluntária da criança, como também um período de atenção mais longo e um aumento das suas competências.
                                A Motivação é a chave de toda a aprendizagem…
                   Se queremos que a criança aprenda as cores e as cores não lhe interessam nada, temos de procurar a sua motivação. De que é que gosta? Gosta de números, gosta de dinossauros? Usamos pois os números ou os dinossauros para ensinar as cores.
v    Os comportamentos repetitivos (stims) da sua criança têm uma enorme importância e valor.
O programa apresenta um profundo respeito e aceitação das crianças, o que permite ultrapassar a barreira que separa o seu mundo, fazendo algo ousado e pouco habitual. Em vez de parar os comportamentos ritualistas e repetitivos da criança, o adulto junta-se a ela nesses mesmos comportamentos. Ao fazer isto criam-se afinidades e ligações, a plataforma de toda a educação e desenvolvimento futuro. Ao participar com a criança nestes comportamentos, promove-se o contacto ocular, o desenvolvimento social e a inclusão de outros nas brincadeiras.
 
O facilitador vê o autista como um ser único a ser respeitado e procura fazer com que a criança se sinta segura.
v    A criança pode evoluir no ambiente adequado
A maioria das crianças do Espectro do Autismo está sobre-estimulada por uma quantidade de distrações que a maior parte das pessoas nem repara. É importante criar um ambiente livre de distrações e onde as interações sejam facilitadas – o quarto de brincar. Este ambiente fará diminuir as situações de “conflito” e tensão que inibem o progresso e a interação adequada, possibilitando não só o desenvolvimento, como também uma interação mais próxima, que os pais tanto anseiam.
O programa Son-Rise é totalmente lúdico. Com ênfase na diversão, os facilitadores e os pais seguem o interesse da criança e oferecem atividades motivadoras, para que a criança participe voluntariamente.
v    Os pais e profissionais são mais efetivos quando se sentem confortáveis e otimistas acerca das capacidades da criança e do seu futuro
Frequentemente, os pais são confrontados com diagnósticos assustadores e pessimistas relativamente à sua criança. O programa ajuda os pais a focarem-se na atitude e a recuperar o otimismo e a esperança. É importante verem o potencial da criança e conseguirem definir objetivos. Também aos profissionais é dado apoio e orientação no sentido de ajudarem a criança com quem estão a trabalhar.
 
v    O Programa Son-Rise pode ser combinado com outras terapias
As intervenções biomédicas, as terapias sensoriais, as dietas sem glúten e sem caseína, as terapias de integração auditiva, são algumas terapias que, utilizando princípios que não são contrários aos do Son-Rise, potenciam a intervenção, que se torna mais eficaz do que quando o Programa Son-Rise é aplicado isoladamente. No entanto, as abordagens que utilizam princípios diferentes daqueles que o Son-Rise defende, têm mostrado ser contra producentes, pois confundem a criança.
 
 
O QUE TORNA O PROGRAMA SON-RISE TÃO DIFERENTE E EFICAZ?
 
·         Foi o primeiro programa a tratar as PEA como desafios relacionais e neurológicos em vez de comportamentais.
·         Este programa coloca os pais, não os médicos e terapeutas, como os professores chave.
·         O enfoque é na casa como o ambiente mais estável e encorajador para ajudar a criança.
 
·         Utiliza um modelo de desenvolvimento para orientar os pais passo-a-passo, permitindo que os seus filhos melhorem em todas as áreas de aprendizagem, comunicação social, desenvolvimento e aquisição de habilidades.
Ajuda a trazer o riso, brincadeiras e alegria para a vida de uma criança!

 
TÉCNICAS DO PROGRAMA SON-RISE
 
Existem várias técnicas, baseadas nos princípios do Programa Son-Rise, apresentando-se seguidamente as três principais:
 
1. Criar um ambiente livre de distrações
 
 
- Levar a criança para o quarto/sala mais calma e silenciosa
- Preparar este espaço para que não haja interrupções (telefone, campainha…)
- Levar uma pequena caixa de brinquedos ou atividades
- Aumentar progressivamente o tempo em que se está a desenvolver atividades de 1:1 com a criança
 


2.  Usar os comportamentos repetitivos da criança para construir uma ligação
- Fazer o mesmo que a criança está a fazer, exatamente da mesma forma
- Concentrar-se em se divertir, à medida que se faz o que a criança está a fazer
Exemplos:
-Se a criança estiver a pular numa bola, pule numa bola também.
-Se a criança estiver a correr de um lado para o outro, corra de um lado para o outro também.
- Se a criança estiver a recitar uma cena de um filme ou livro, recite a mesma cena com ela.
- Se a criança estiver a olhar fixamente para a parede, olhe para a parede com ela.

3.  Concentrar-se no contacto visual.
 
- Celebrar com a criança cada vez que ela olhar para si (ex: “Uauu, eu adoro quando olhas para mim!!” ou “O teu olhar é lindo!” ou “Obrigado por olhares para mim!”). Não importa o que se diz, mas que se sinta entusiasmado e agradecido pelo facto da criança ter escolhido olhar diretamente para os seus olhos.
- Trazer a atenção para a sua face e olhos (torne o rosto interessante, usando chapéus, óculos divertidos, adesivos e pinturas…)
- Posicionar-se em frente à criança, ao nível dos olhos ou abaixo, tornando mais fácil para ela olhar para si. Quando oferecer brinquedos, alimentos ou algo para beber posicione-os na altura dos seus olhos.
 
      Quanto mais a criança olhar mais ela aprenderá. Quanto mais você se concentrar no contacto visual com a sua criança, mais esse contacto aumentará, dando a oportunidade da criança aprender consigo.
 


 
Saiba mais em...

-Son-Rise: The Miracle Continues, de Barry Neil Kaufman

-Happiness is a Choice, de Barry Neil Kaufman



 


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Meu filho Meu Mundo


Quando nasceu, Raun era um saudável e feliz bebê. Com o passar dos meses, seus pais começam a observar que havia alguma coisa estranha com ele, sempre com um ar ausente. Um dia vem a confirmação do que suspeitavam, Raun tinha autismo. Decidem então penetrar no mundo da criança, acreditando que somente o milagre do amor poderia salvá-lo. O filme conta a história da criação do programa Son-Rise para tratamento de crianças com autismo, uma terapia criada por pais e leigos.
Meu Filho, Meu Mundo (Son-Rise: a Miracle of Love) é um filme estadunidense de 1979, do gênero drama, dirigido por Glenn Jordan
 
Pode ver-se o filme completo em...
http://www.youtube.com/watch?v=AYra_5668lE

sábado, 10 de setembro de 2011

No seu Mundo


Bem, um livro espantoso que aproveitei para ler nas férias e que recomendo vivamente...


É daqueles que nos leva a ler páginas e páginas seguidas sem darmos conta...


Jacob, a personagem principal, tem síndrome de asperger e ao entrarmos no seu mundo reflectimos sobre duas questões fundamentais:


- O que é pensar, sentir e agir de maneira diferente na nossa sociedade?

- De que forma a justiça atende à diferença? Pode um indivíduo com Síndrome de Asperger ser julgado como qualquer outro?


E mostra-nos que os indivíduos com Síndrome de Asperger tem sentimentos...sentem o amor...apenas o fazem de uma maneira diferente!



quarta-feira, 18 de maio de 2011

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

ZAC BROWSER


ZAC Browser (Zone for Autistis Children) foi desenvolvido pelo avô de um menino com autismo, Zackary Villeneuve, e contém diversas actividades pensadas para crianças com Perturbação do Espectro do Autismo.

Está disponível para download (conteúdo apenas em inglés) em

http://www.zacbrowser.com/

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Temple Grandin, uma Mente Diferente



" Se me fosse permitido estalar os dedos e deixar de ser autista, eu não o faria...O autismo é parte do que sou..."


Temple Grandin com 63 anos e com uma fascinante mente autista, tem contribuido para a criação de sistemas para combater o stress em animais e em humanos, para além de possibilitar uma melhor comprensão sobre a forma de pensar de uma pessoa com autismo.

Grandin não era capaz de falar antes dos 3 anos e apresentava muitos problemas comportamentais, sendo que lhe foi diagnosticado autismo. Os seus pais recusaram o conselho do médico para a colocar numa instituição e enviaram a filha para uma série de escolas particulares onde o seu elevado QI foi estimulado. Grandin formou-se em psicologia experimental e especializou-se em ciência animal.
Através da sua forma de pensar por imagens, consegue compreender a perspectiva dos animais e tem dedicado a sua vida a criar sistemas para reduzir a ansiedade dos mesmos. O foco principal da sua carreira tem sido a concepção de instalações de gado que permitam reduzir a dor e o medo no processo de abate. Projectou também uma máquina de "comprimir" para aliviar a tensão nervosa, sendo que versões melhoradas desta máquina são amplamente utilizadas em escolas para crianças autistas.

Temple Grandin enfatiza que o Mundo precisa de pessoas com o Autismo e com todo o tipo de mente (existem pensadores visuais, verbais, em padrões...).

São vários os livros nos quais é autora ou co-autora, salientando-se:
  • Genetics and the Behavior of Domestic Animals (1999)

  • Thinking in Pictures and Other Reports from My Life with Autism (1995)

  • Emergence: Labeled Autistic (1986)

Foi realizado um filme sobre a sua vida, apresentado-se aqui o Trailler...






O filme está deveras excelente!
Caracteriza muito bem uma pessoa com autismo e mostra que "é diferente, mas não inferior".

domingo, 22 de agosto de 2010

Novo Exame Cerebral Ajuda a Identificar Autismo em Adultos



De acordo com Pesquisadores Ingleses, um exame cerebral simples que identifica diferenças estruturais nos órgãos dos pacientes pode acelerar o processo de diagnóstico de autismo em crianças.

Segundo a psiquiatra e coordenadora da pesquisa Christine Ecker, foram encontradas diferenças sinificativas na espessura dos tecidos em partes do cérebro que são responsáveis por funções como comportamento e linguagem em adultos com autismo e comparativamente a adultos ditos "normais". Os investigadores pretendem estudar agora mulheres e crianças, prevendo-se que os resultados serão ainda melhores nas crianças, pois as anormalidades do autismo são ainda mais proeminentes na infância.

Declan Murphy acrescenta que o diagnóstico preciso poderá proporcionar ao paciente a oportunidade de encontrar meios que melhorem a sua qualidade de vida.

A notícia completa encontra-se em...
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/autismo-pode-ser-diagnosticado-com-exame-de-cerebro

terça-feira, 20 de julho de 2010

CARTA DOS DIREITOS PARA PESSOAS COM AUTISMO



As pessoas com autismo devem poder partilhar dos mesmos direitos e privilégios de toda a população europeia na medida das suas possibilidades e tomando em consideração os seus melhores interesses. Estes direitos devem ser realçados, protegidos e postos em vigor por uma legislação apropriada em cada estado. As declarações das Nações Unidas sobre os Direitos do Deficiente Mental (1971) e sobre os Direitos das Pessoas Deficientes (1975) tal como outras declarações relevantes sobre os Direitos do Homem devem ser tomadas em consideração e, em particular, no que diz respeito às pessoas com autismo, devem ser incluídos os seguintes:

1. O DIREITO de as pessoas com autismo viverem uma vida independente e completa até ao limite das suas potencialidades.

2. O DIREITO de as pessoas com autismo terem um diagnóstico e uma avaliação clínica precisos, acessíveis e livres de preconceitos.

3. O DIREITO de as pessoas com autismo receberem uma educação acessível e apropriada.

4. O DIREITO de as pessoas com autismo (e seus representantes) serem implicadas em todas as decisões que afectem o seu futuro; os desejos do indivíduo devem, na medida do possível, ser reconhecidos e respeitados.

5. O DIREITO de as pessoas com autismo terem uma habitação acessível e adequada.

6. O DIREITO de as pessoas com autismo terem equipamentos, assistência e serviços de apoio necessários a uma vida plenamente produtiva, digna e independente.

7. O DIREITO de as pessoas com autismo receberem um rendimento ou um salário suficientes para uma alimentação, vestuário e habitação adequados tal como para as outras necessidades vitais.

8. O DIREITO de as pessoas com autismo participarem, tanto quanto possível, no desenvolvimento e na administração dos serviços criados para o seu bem-estar.

9. O DIREITO de as pessoas com autismo terem acesso a aconselhamento e cuidados apropriados à sua saúde mental e física e à sua vida espiritual. Isto inclui a acessibilidade a tratamentos de qualidade e a medicamentação administrada somente no seu melhor interesse e tomadas todas as medidas de protecção necessárias.

10. O DIREITO de as pessoas com autismo a um emprego significativo e formação vocacional sem discriminação ou estereótipo; a formação e o emprego devem respeitar as capacidades e escolhas do indivíduo.

11. O DIREITO de as pessoas com autismo terem acessibilidade ao transporte e liberdade de movimentos.

12. O DIREITO de as pessoas com autismo terem acesso à cultura, ao lazer, às actividades recreativas e desportivas e de nelas participarem plenamente.

13. O DIREITO de as pessoas com autismo terem igual acesso a todos os equipamentos, serviços e actividades da comunidade e poderem utilizá-los.

14. O DIREITO de as pessoas com autismo terem relações sexuais e outras, incluindo o casamento, sem a elas serem forçados ou nelas explorados.

15. O DIREITO de as pessoas com autismo (e os seus representantes) terem representação legal e assistência jurídica assim como a completa protecção de todos os seus direitos legais.

16. O DIREITO de as pessoas com autismo não serem submetidas ao medo e à ameaça de um internamento compulsivo em hospitais psiquiátricos ou outras instituições restritivas da sua liberdade.

17. O DIREITO de as pessoas com autismo a não serem submetidas a tratamentos físicos abusivos ou a negligência de cuidados.

18. O DIREITO de as pessoas com autismo a não serem submetidas ao uso abusivo ou inadequado de farmacologia.

19. O DIREITO de as pessoas com autismo (ou os seus representantes) ao acesso a todas as informações contidas nos seus relatórios pessoais, médicos, psicológicos, psiquiátricos e educacionais.

Apresentada no 4º Congresso Autism-Europe, Haia, 10 de Maio de 1992.
Adoptada sob forma de Declaração Escrita pelo Parlamento Europeu, 9 de Maio de 1996

O que nos pediria uma Pessoa com Autismo?



1 - Ajuda-me a compreender. Organiza o meu mundo, dando-lhe ordem e estrutura e antecipando o que vai acontecer.

2 - Respeita o meu ritmo. Sempre poderás relacionar-te comigo, se compreenderes as minhas necessidades e o meu modo especial de entender a realidade. Não te deprimas, o normal é que eu avance e me desenvolva cada vez mais.

3 – Fala-me pouco e devagar. As palavras podem ser uma carga muito pesada para mim. Muitas vezes, não são a melhor maneira de te relacionares comigo.

4 - Como outras crianças e os outros adultos, necessito de compartilhar o prazer e o gosto de fazer as coisas bem-feitas, ainda que não o consiga sempre. Faz-me saber, de algum modo, quando faço as coisas certas e ajuda-me a fazê-las sem erros. Quando tenho muitas falhas, acontece-me o mesmo que a ti: irrito-me e acabo por me recusar a fazer as coisas.

5 - Necessito de mais ordens e mais previsibilidade no meio do que tu. Teremos que negociar os meus rituais para convivermos.

6 - Torna-se difícil compreender o sentido de muitas das coisas que me pedem que faça. Ajuda-me a entendê-lo. Trata de me pedir coisas que podem ter um sentido concreto e decifrável para mim. Não permitas que me aborreça ou permaneça inactivo.

7 - Não me invadas excessivamente. Às vezes, as pessoas são muito imprevisíveis, barulhentas e estimulantes. Respeita as distâncias que necessito, porém sem me deixares sozinho.

8 - O que faço não é contra ti. Quando me zango ou me agrido, se destruo algo ou me movimento em excesso, quando me é difícil atender ou fazer o que me pedes, não o faço para te magoar. Não me atribuas más intenções!

9 - O meu desenvolvimento não é absurdo, ainda que não seja fácil de entender. Tem a sua própria lógica e muitas das condutas que chamas “alteradas” são formas de enfrentar o mundo a partir da minha forma especial de ser e de perceber. Faz um esforço para me compreenderes.

10 - As outras pessoas são demasiadamente complicadas. Meu mundo não é complexo e fechado, mas sim simples. Ainda que te pareça estranho o que te digo, o meu mundo é tão aberto, tão sem dissimulações e mentiras, tão ingenuamente exposto aos demais, que se torna difícil penetrar nele. Não vivo numa “fortaleza vazia”, mas sim numa planície tão aberta que pode parecer inacessível. Tenho muito menos complicações do que as pessoas que são consideradas normais.

11 - Não me peças sempre as mesmas coisas nem me exijas as mesmas rotinas. Não tens de te fazer autista para me ajudares. O autista sou eu, não tu!

12 - Não sou só autista, também sou uma criança, um adolescente ou um adulto. Compartilho muitas coisas das crianças, adolescentes e adultos como os que chamas de “normais”. Gosto de jogar e divertir-me, quero os meus pais e pessoas que me cercam, sinto-me satisfeito quando faço as coisas certas. Vale mais o que compartilhamos do que a distância que nos separa.

13 - Vale a pena viver comigo. Posso dar-te tantas satisfações como as outras pessoas, ainda que não sejam as mesmas. Pode chegar um momento na tua sua vida em que eu, que sou autista, seja a tua maior e melhor companhia.

14 - Não me agridas quimicamente. Se te disseram que tenho de tomar medicamentos, procura que a medicação seja periodicamente revista por um especialista.

15 - Nem os meus pais nem eu temos culpa do que acontece comigo. Tão pouco a tem os profissionais que me ajudam. Não serve de nada que se culpem uns aos outros. Às vezes, as minhas reacções e condutas podem ser difíceis de compreender ou de enfrentar, mas não é por culpa de nada. A ideia de “culpa” não produz mais do que sofrimento em relação ao meu problema.

16 - Não me peças constantemente coisas acima do que eu sou capaz de fazer. Porém, pede-me o que posso fazer. Ajuda-me a ser mais autónomo, a compreender melhor, porém não me dês ajuda demais.

17 - Não tens que mudar completamente a tua vida pelo facto de viveres com uma pessoa autista. A mim não me serve de nada que tu estejas mal, que te feches e te deprimas. Necessito de estabilidade e bem-estar emocional ao meu redor para estar melhor. Pensa que o teu parceiro tão pouco tem culpa do que acontece comigo.

18 - Ajuda-me com naturalidade, sem convertê-la numa obsessão. Para me poderes ajudar, tens de ter os teus momentos em que descansas ou em que te dedicas às tuas próprias actividades. Aproxima-te de mim, não te afastes, mas não te sintas submetido a um peso insuportável. Na minha vida, tive momentos ruins, mas posso ficar cada vez melhor.

19 - Aceita-me como sou. Não condiciones o teu desejo a que eu deixe de ser autista. Sê optimista sem fazer “novelas”. A minha situação normalmente melhora, ainda que por agora não tenha cura.

20 - Ainda que seja difícil para eu comunicar ou não compreender as subtilezas sociais, tenho inclusive algumas vantagens em comparação aos que se dizem “normais”. É difícil comunicar-me, porém não consigo enganar. Não compreendo as subtilezas sociais, porém tão pouco participo das duplas intenções ou dos sentimentos perigosos tão frequentes na vida social. A minha vida pode ser satisfatória se for simples, ordenada e tranquila. Se não me pedes constantemente e somente aquilo que é difícil para mim. Ser autista é um modo de ser, ainda que não seja o normal. A minha vida como autista pode ser tão feliz e satisfatória como a tua “normal”. Nessas vidas, podemos encontrar-nos e compartilhar muitas experiências.

Adaptação do Texto de Angel Rivière, Autism-Spain – Assessor Técnico da APNA – Madrid, 1996

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Menino e o Cavalo…Uma História Real de Amor a um Filho



“Sem hesitar, Rowan abriu os braços e envolveu a grande cabeça castanha de Betsy, que estava suficientemente baixa para ele a poder alcançar. Depois deu-lhe um beijo. Ao ser beijado, o animal ganhou uma expressão de uma ternura extraordinária, uma certa suavização do olhar, um deleitado semicerrar de pálpebras, com as suas longas e negras pestanas. Algo passara de um para o outro. Um tipo de comunicação directa que eu, o pai, um ser humano neurologicamente convencional, jamais poderia experienciar.”
Rupert Isaacson, jornalista e antigo treinador de cavalos, sonhou com o melhor para o seu filho Rowan. Mas Rowan afastava-se dos sonhos do pai…era diferente das outras crianças…não falava, não brincava, refugiava-se num mundo próprio e só dele. Aos 3 anos foi-lhe diagnosticado AUTISMO.
Rupert e a mulher Kristin (professora catedrática de Psicologia) tentaram todas as terapias na esperança de verem o seu filho mais estável, mas, ao invés ouviam gritos, aumentavam os espasmos e os ataques.
O contacto com a natureza era das poucas coisas que acalmava Rowan e foi durante um passeio pelo bosque que o menino se afastou do pai, correu pelo prado, e se atirou para debaixo da égua Betsy. A égua submeteu-se espontaneamente à criança... Rowan tinha uma espécie de contacto directo com o animal e foi ganhando toda uma linguagem por montar.
Para além dos cavalos, havia algo mais que tinha um impacto positivo sobre Rowan…o Xamanismo (Rowan tinha estado em contacto com um grupo de curandeiros nos EUA).
Rupert pensou, então, em combinar os cavalos com esta forma de tratamento…fazia o possível e o impossível pelo seu filho... E o impossível tornou-se na mais pura realidade quando, em 2007, esta família realizou uma viagem até às distantes estepes da Mongólia, local onde o primeiro cavalo foi domesticado. Durante esta viagem, grande parte feita a cavalo, procuraram ajuda dos curandeiros tradicionais e dos xamãs. Rowan fez o seu primeiro amigo e teve as suas primeiras conversas…ficou, ainda, curado das terríveis disfunções que o afligiam: a incontinência física e emocional, a ansiedade e a hiperactividade.

Um livro extraordinário…Uma viagem sustentada pela , Esperança e Amor!
Sugestões de Leitura:
Revista Equitação, Ano XIV, nº 79, Julho/Agosto 2009 - Entrevista de Rupert quando esteve em Portugal
Sites a Visitar:
Informações sobre a prática de Equitação Terapêutica em Portugal:
Enviar e-mail para claudiassd@gmail.com
Um pequeno filme sobre esta viagem: